Fadiga de Compaixão: quando cuidar do outro começa a esgotar quem cuida
Por Cidinha Pascoaloto – Psicóloga
A fadiga de compaixão é um estado de esgotamento emocional, físico e mental que pode surgir em pessoas que cuidam intensamente do sofrimento alheio. Ela acontece com frequência em profissionais da saúde, psicólogos, assistentes sociais, voluntários, cuidadores e em familiares que acompanham alguém em situação de dor, doença ou perda.
A compaixão é uma qualidade humana fundamental. No entanto quando uma pessoa se expõe muito ao sofrimento de outras pessoas acontece a diminuição da capacidade de sentir empatia e compaixão e pode surgir um desgaste emocional profundo. Esse desgaste recebe o nome de fadiga de compaixão.
Diferente do cansaço comum, a fadiga de compaixão envolve uma sobrecarga emocional. A pessoa começa a sentir um esgotamento que pode se manifestar por irritabilidade, tristeza, dificuldade de concentração, sensação de impotência e até um certo distanciamento afetivo.
Em alguns casos, aquilo que antes motivava a ajudar e a acolher, passa a gerar sensação de peso ou exaustão. Isso pode acontecer também com usuários de redes sociais que ficam ligados constantemente em conteúdos catastróficos e crises globais.
Quando alguém escuta repetidamente histórias de sofrimento, traumas ou perdas, o cérebro e o sistema emocional precisam lidar com uma carga intensa de emoções. Sem pausas, apoio ou autocuidado, essa carga pode se acumular.
Alguns sinais que podem indicar fadiga de compaixão incluem: dificuldade para “desligar” do sofrimento dos outros, sensação constante de esgotamento emocional, diminuição da paciência, sentimento de culpa por não conseguir ajudar mais, alterações no sono entre outros.
Na psicologia, o cuidado com quem cuida é considerado essencial. Estratégias como supervisão profissional, apoio emocional, limites, momentos de descanso e práticas de autocuidado ajudam a prevenir esse esgotamento.
Cuidar do outro é uma das expressões mais bonitas da humanidade.













